8.3.14

gosto de ausências mas gosto de regressar a casa, gosto das letras de Agustina, arrumadinhas e sem rasuras na moldura azul escura pendurada na parede frente à cama, gosto do riso solto da sua frase sempre fui fiel à minha vida e sou a coisa mais divertida que me aconteceu, gosto de pensar que a leio quando acordo e que me permanece durante todo o dia...

27.2.14

gosto da frase paint your sadness, gosto de pensar em rever a casa da praia e levantar memórias da infância, gosto de comprar sacos de amêndoas e figos na senhora da praça, gosto da ria e do bolo de alfarroba, gila e amêndoa do Morgadinho, gosto do sítio do ribeiro embora não haja ribeiro nenhum, gosto dos campos coloridos por malmequeres brancos e amarelos e pelas flores das amendoeiras, gosto do som dos pássaros que começam a regressar, gosto das cerâmicas de Porches e Almancil, gosto de comprar O Principezinho e o saco com o desenho da princesa e a ervilha para os ofecerer à Sissa...

gosto de ler a frase my home is my castle, gosto de abrir a porta e encontrar o sorriso do espelho rosa morango, gosto do vaso azul bizâncio com flores brancas desenhadas em cima da estante turquesa, gosto de reciclar peças antigas, gosto da pequena igreja nórdica em porcelana e de a iluminar todas as noites, gosto dos rolos de pano da rua de S. José  e de os colocar nas frinchas das portadas, gosto das caixas redondas em fina folha de madeira que esperam decoração, gosto de encontrar Dorian sem coleira a confraternizar com o senhor que habita aquela rua, gosto de pensar que me reconhece e não está apenas a pensar em obter gulodices, gosto das línguas de gato e dos chocolates com vinho do Porto da Arcádia...

24.2.14

gosto das  wooden dolls de Sandro Girard e das caixas de madeira que as envolvem, gosto da casa, da árvore e da abelha desenhadas na tampa, gosto do geometrismo de Lissistzy e de imaginar as linhas cinza, negra e vermelha sobre fundo branco como uma figurinha a dançar, gosto do aroma do creme de absinto, gosto que o final de um dia de inverno me traga o cheiro a lareira acesa, gosto de tomar café no Caniço a olhar o mar, gosto de coleccionar conchas e búzios e de colocá-los em vasos translúcidos, gosto de decorar o "rabo de sereia" para a Sissa com estrelas do mar, cavalos marinhos e conchas feitos com lantejoulas brilhantes e pequenas pedras...

19.2.14

gosto dos desenhos do desenhador de quotidianos, gosto de desenhar em linhas coloridas a história do little red riding hood and her harmless wolfie friend, gosto das linhas despojadas das peças da desenhabitado, gosto de me sentar no Brown's e ouvir a voz inconfundível da Billie, gosto da quietude da Torre do Tombo, gosto de pesquisar temas e encontrar outros temas inesperados, gosto de passear pela rua dos limoeiros retidos pelas sebes, gosto da casa estreita com cunhais de pedra e óculos laterais de luz, gosto da moldura da janela em trabalho singelo de pedraria, gosto de encontrar a senhora de cara jovem e cabelo branco a empurrar o carrinho de bébé faça chuva ou faça sol...

17.2.14

gosto de encomendar livros e outras coisas na Amazon, seguir o seu percurso, receber a encomenda como se fosse surpresa, gosto do nome da loja Letra Violeta, gosto de ouvir this mortal coil, gosto de song to the siren, gosto de ler espirais de frases enquanto bebo café, than after that first cup i changed they ask again how are you today a perplexing question give me a moment to think, gosto da palavra pluviophile (n) a lover of rain: someone who finds joy and peace of mind during rainy days mas gosto de pensar em dias de sol, gosto de palavras motivacionais a certain darkness is needed to see the stars...

15.2.14

gosto de ver crescer erva azedinha, trevo e lírios debaixo dos pinheiros nos campos que espreitam a estrada, gosto da casa isolada e do pequeno sino pendurado num arco do alpendre e de pensar que se o tocasse despertaria vozes cativas, gosto dos azulejos nos muretes do jardim do palácio com nome de árvore, gosto de me sentar no jardim perto da árvore cheia de segredos com chaves, fechaduras e aldrabas muito antigas, gosto de imaginar que a sétima chave abre a sétima porta que nunca deve ser aberta...