2.8.09

diários #22




Despetar já não é o que era. O poema de O’Neill a entrar enviesado no sono, corpo a estremecer a cada batida das horas, o coração, ah o coração! a ser arrastado e o som a repetir-se ãããã-ãããã-ããão, a saltar do rádio, a saltar dos plasmas gigantes no metro. Olhos mal despertos seguem o caminhar ondulante, sensual, envolto em sorriso insinuante, mancha rubra em sapatinhos que não são de cristal. A memória salta, e ali está outro poema, Leanor pela verdura vai fermosa e tão segura, mas o poema não é assim, - não é a história de Cinderela nem o caminhar de Leanor, - e a mão a espalmar-se, o sorriso a alargar-se, e a memória a saltar: na mão de O’Neill o coração cabia, o coração morreria, que perfeito coração morreria no meu peito morreria, meu amor na tua mão, nessa mão onde perfeito bateu o meu coração. A memória a lembrar o coração efeito boomerang, que se lança em voo e volta, rubro de tanto sentir, como no poema de O’Neil onde o sorriso não cabe mas cabe, a transbordar, intensa, a saudade desse olhar, do teu olhar derradeiro, desse olhar que era só teu, amor que foste o primeiro. E já não apetece o metro, agora a vontade a resvalar para o autocarro, porque é bue, o som cristalino é bue.

6 comentários:

JFDourado disse...

É bué de fixe este teu texto!

;)
Beijo

comboio turbulento disse...

eu penso que este texto é mesmo...trué

moriana disse...

voce e bue :)

bj.

moriana disse...

tanto que se poderia dizer sobre o poema e...o resto ;)

(true é bom, também)

clarinda disse...

De volta pois...

Bonito diário... os poetas andam por aí nas ruas ou nas nossas mentes. Não vale a pena mais nada.

Beijinhos

moriana disse...

para mim é mais a poesia a estremecer em cada canto, os poetas, bem, gente como nós, penso...

boas férias :)
bj.