8.10.09

A beleza vira-nos a alma do avesso e vai-se embora*





janela a abrir-se mansamente, olhos a espreitarem o coração
derramado no telhado, mágoa a crescer nas mãos vazias, colo inútil,
não soube proteger




*Eugénio de Andrade
Imagem de Evelina Oliveira

4 comentários:

Jaime A. disse...

a beleza come-me a alma,
vasculha-me a vida,
extrai-me a loucura,
e entredentes,
à socapa,
("na surra"),
campeia os caminhos,
de obscuridades,
tão perto dos passeios,
das almas titubeantes,
da força da glória...

e assim vai,
altiva,
dócil,
quase frágil...

Feitio'zinho disse...

Gostei (=

moriana disse...

...
Só muitos anos
entrou em casa, para ser
senhor dela, o pequeno persa
azul. A beleza vira-nos a alma
do avesso e vai-se embora.
Por isso, quem me lambe a ferida
aberta que me deixou a sua morte
é agora uma gatita rafeira e negra
com três ou quatro borradelas de cal
na barriga. É ao sol dos seus olhos
que talvez aqueça as mãos...

E.Andrade

:)

moriana disse...

Bem vinda, obrigada, Feitio'zinho.

:)