
O cachecol macio a abafar a corrente de ar no estábulo, afinal José tem a cabeça colada e a lã vermelha disfarça o risco no pescoço. Pombas instalam-se nos ramos da árvore, as mensagens penduradas ao peito aquecem tanto como o cachecol tricotado do José. Este ano não haverá soluço escondido, nem olhar culposo entre o grupo, nem inventar que as fadas se atrasam ao domingo, nem saída à pressa a romper a manhã gelada pelos croissants quentes e pelas moedas do troco. Este ano não haverá dente a dormir debaixo da amofada nem cêntimos a tilintar junto ao colchão. Fadas, duendes, bolas, laços, cristais de estrelas e um sino quebram a solidão das pombas. Prometem ficar até ao dia de reis. Prometem deixar as mensagens, também. Matt escreveu. Vem passar o natal.
cerâmicas de palomasnest
