
Espaço a alargar-se na mesa, toalha a crescer silhuetas de copos, gotas vermelhas a abafar a brancura da renda, rubor a estampar-nos a cara. O “meloso” a rir-nos as gargantas, a saltar luzes nos olhos. E a voz vibra e a mão escreve mar, Sara a ler pautas nos dedos de Rui, meu coração tropical está coberto de neve, a voz a tomar conta da noite, a reclinar a melancolia, a sweat-shirt branca de Miguel a cair na sombra, ou são os olhos a trocarem tudo, manchados pelo licor com forte sabor a canela. O coração a cantar princesas, por ti vou quebrar a geleira azul da solidão, a voz de Sara a esvoaçar, e a tristeza nos olhos de Francisco a saber do corsário preso, a saber do coração que não partirá esse gelo e irá como as garrafas de naúfragos, a soltar mensagens por todo o mar.
Imagem de Heather
João Bosco, Corsário (excertos)
