Olhos a escorregarem do montículo de cristais, a mergulharem nas pequenas salinas inundadas de espuma rosada. Mansamente, a waffle amolece no prato.
Sons a saltarem as mesas, a pendurarem-se nos ouvidos: vais cantar essa ária, tem de ser, - a vida a impor-se e a voz a esmorecer na garganta, a abafar a escolha. Sons a saírem em cascata, a abrasarem as chávenas: há dias nulos, hoje, simplesmente não existiu! – os olhos a imaginarem os buracos no calendário, a saltarem os dias como se saltam fogueiras de santo António, a imaginarem os dias a queimarem-nos o corpo se caírmos neles.
As salinas são já um lago. Mansamente, a waffle dilui-se. A dor a abrandar na boca, a ficar submersa pelo gosto a morango. O nó preso ao peito a desatar-se, mansamente.
Sons a saltarem as mesas, a pendurarem-se nos ouvidos: vais cantar essa ária, tem de ser, - a vida a impor-se e a voz a esmorecer na garganta, a abafar a escolha. Sons a saírem em cascata, a abrasarem as chávenas: há dias nulos, hoje, simplesmente não existiu! – os olhos a imaginarem os buracos no calendário, a saltarem os dias como se saltam fogueiras de santo António, a imaginarem os dias a queimarem-nos o corpo se caírmos neles.
As salinas são já um lago. Mansamente, a waffle dilui-se. A dor a abrandar na boca, a ficar submersa pelo gosto a morango. O nó preso ao peito a desatar-se, mansamente.
Imagem de Katia Chausheva

