
Sobremesa agri-doce, cor azul-gelo. Mão a empurrar a colher, a desmanchar os montículos de gelado na taça. Palavras com sabor a lima lançadas em ambiente acolhedor, não, não, estava tudo excelente, obrigada, palavras cruzadas, acolchoadas em sorrisos, sabes, mais três anos seria o ideal. Os olhos fixos nas vidraças vendo a infância a correr lá fora, debaixo das árvores, que importa se são as da avenida, regressar ao mesmo sítio seria incómodo, não que me importe, mas três anos mais seria o ideal, percebes? Os olhos deixam a infância, fixam-se agora nos olhos do outro lado da mesa, palavras com sabor a lima, comprometem-se. Não gostou, quer outro prato? Tudo excelente, eu é que como pouco, obrigada, sorriso a crescer entre as palavras, olhos presos nas luzes da árvore, bolas vermelhas, irisadas. Linda a árvore, não achas, é a tonalidade vermelha sobre o verde, lembras-te quando…e a infância a correr em passinhos leves, a espreitar outras árvores cheias de chocolates, de brinquedos, tudo a passar nos olhos do outro lado da mesa. O frio já não sabe a lima, a cidade arrefece sob o sol da tarde. Descer a avenida com a promessa armadilhada na infância.
(imagem retirada da net)
