22.5.09

a noite parece um grito de lobo






mas a ti quero olhar-te
até estares longe do meu medo,
como um pássaro no limite
afiado da noite

como quando se abre uma flor e
revela o coração que não tem

como uma menina de giz cor-de-rosa
num muro muito velho subitamente
esbatida pela chuva











Alejandra Pizarnik
(excertos de poema)
Imagem de Katia Chausheva

6 comentários:

clarinda disse...

'estares longe do meu medo' é estares perto de mim, pois o medo é a forma de não nos aproximarmos das coisas, das ideias e das pessoas.

Beijinhos

Jaime A. disse...

A flor abre-se,
uma menina escreve;
graffitis alegram os muros.
Partilho o meu medo,
contigo,
para que te possa olhar
em todos os limites.
Uma lata de spray
cai das mãos da menina,
a noite subtrai-a.
Um pássaro esvoaça
em círculos,
entre os vórtices
dos meus temores.
Reaparece a menina;
vem só.
A flor abrira-se
e dera-lhe o pau de giz;
ela apenas escrevera no velho muro:
"quero olhar em frente
sem receio do medo. Só."

moriana disse...

Discutiu-se o medo, ontem à noite, no Câmara Clara. Muito interessante

bjs.

moriana disse...

Mesmo muito acompanhada a menina parece andar sempre só
(a do giz cor-de-rosa, claro)
:)

comboio turbulento disse...

lindo, moriana (as usual)

moriana disse...

Muito bela (por vezes terrível) a poesia de Alejandra :)