24.4.09

diários #18


Olhos a escorregarem do montículo de cristais, a mergulharem nas pequenas salinas inundadas de espuma rosada. Mansamente, a waffle amolece no prato.
Sons a saltarem as mesas, a pendurarem-se nos ouvidos: vais cantar essa ária, tem de ser, - a vida a impor-se e a voz a esmorecer na garganta, a abafar a escolha. Sons a saírem em cascata, a abrasarem as chávenas: há dias nulos, hoje, simplesmente não existiu! – os olhos a imaginarem os buracos no calendário, a saltarem os dias como se saltam fogueiras de santo António, a imaginarem os dias a queimarem-nos o corpo se caírmos neles.
As salinas são já um lago. Mansamente, a waffle dilui-se. A dor a abrandar na boca, a ficar submersa pelo gosto a morango. O nó preso ao peito a desatar-se, mansamente.




Imagem de Katia Chausheva

6 comentários:

Filipe Oliveira disse...

anticipação de momentos passados
libertação

bjs

moriana disse...

caso para dizer: um gelado não se come impunemente :)

bjs

Filipe Oliveira disse...

olá
passa no moradaterra
tens trabalho de casa
(desculpa a maldade)

bj

aquilária disse...

esses momentos vagarosos, todas essas coisas cá dentro a acontecerem sem que quase demos por elas.
häagen dazs-chiado? também gosto de lá ir...

beijo, moriana

moriana disse...

como já me vou habituando à tua "maldade", pode ser, mas sem data limite ;)

bjs.

moriana disse...

o pulsar da vida quando se está atento ao que nos rodeia. nem sempre acontece...sobretudo quando as "casas" estão fechadas

também gosto

abraço amigo, aquilária.