22.6.09

nada mudou

excepto o curso dos rios, a linha das florestas,
dos desertos e glaciares






é nestas paragens que vagueia a alma,
parte, volta, vai e vem
alheia a si mesma, intangível,
ora certa, ora incerta da sua existência.

mas o corpo está e está e está,
sem ter outra saída.










Wislawa Szymborska
Gente na Ponte
(excertos do poema)

6 comentários:

Jaime A. disse...

o corpo está,
a alma voa,
sem rumo,
sem destino, chegada
ou regresso.
O curso dos rios
traz a imagem rude,
disforme,
do corpo em anelos
de si.
Brilha o horizonte tranquilo,
voa, em desvios sonoros,
a alma incerta.
O corpo queda-se
no rol longo de uma saída.

Vieira Calado disse...

Uma escolha criteriosa!

Cumprimentos

comboio turbulento disse...

excelente combinação entre a foto e o texto. os dois delirantes

moriana disse...

o curso dos rios...a vida a não querer parar, ou o tempo...

bom domingo :)

moriana disse...

muito belo este poema :)

por aqui, muita chuva - bom domingo Vieira Calado :)

moriana disse...

gostei dos "dois delirantes" :)